Por falta de troco, comércio no AM busca soluções e cria promoções.

Por falta de troco no comércio, empresas recorrem a campanhas para conseguir moedas.

Descobrem a Trocados como solução para a problemática.

Postagem Convidada: Nathalie Torres

Por falta de troco, comércio no AM busca soluções e cria promoções.
A dificuldade de devolver o troco nas compras no comércio em Manaus tem alternativas tradicionais e digitais nos comércios |Foto: Leonardo Mota

Por falta de troco, os comerciantes de Manaus adotam campanhas.

A falta de troco nos estabelecimentos comerciais para os clientes é comum no comércio em Manaus.

E para solucionar o problema, comerciantes adotam alternativas que incentivam a rotatividade de moedas nos estabelecimentos e a valorização do troco na compra e venda.

As moedas nos valores de R$0,05, R$0,10, R$0,25, R$ 0,50 e R$ 1 são as principais quantias que ficam fora do comércio.

Segundo o economista e professor universitário Wallace Meirelles, essa economia monetária é essencial.

“A falta de moeda em circulação no comércio é um problema antigo.

A população tem uma tendência a guardar a moeda que fica fora de circulação e gera essa problemática.

Que no final é calculado em um prejuízo em milhões para o país”, destaca o economista.

Entre as iniciativas encontradas pelos comerciantes locais para não sofrerem com a falta de troco, estão o estímulo e gratificação aos seus consumidores que facilitam a recirculação das moedas no comércio.

As opções para que as moedas voltem a circular e garantam o repasse do troco no processo de compra e venda, os comerciantes adotam campanhas para incentivarem os clientes a trocarem o dinheiro e de acordo com a quantidade trocada.

Os esforços para conseguir moedas.

O exemplo da ação é a padaria Lisboa, localizada no bairro Vila da Prata, Zona Oeste de Manaus, que ao enfrentar dificuldades em repasse de troco ao cliente, iniciou a campanha ‘Traga suas moedas’.

Que a cada R$ 50 em moedas podem ser trocadas por cédulas nos estabelecimentos e o consumidor ganha um pão caseiro.

E a cada R$ 100 em moedas, o consumidor ganha um bolo caseiro.

A gestora do estabelecimento Kassia Matos, conta que a iniciativa começou há um ano e seis meses na padaria e que antes tinha que trocar moedas com os cobradores de ônibus.

“As moedas infelizmente não estavam rodando no estabelecimento, trocávamos as moedas, mas quando acaba, não tinha nova circulação”, destaca a gestora.

Kassia também destaca que a ação atendeu as expectativas e necessidades do comércio e fidelizou clientes no estabelecimento comercial.

“Temos clientes de diversos públicos e independentemente do valor que ele tem para pagar o produto, precisamos ter o troco necessário. Então a nossa demanda de moeda é muito grande”.

A supervisora de caixas do estabelecimento Francideice Mendonça, conta que ação surgiu a partir da ideia de garantir o direito do consumidor.

“Não queríamos causar danos aos consumidores com a compra de produtos e ficar sem receber o troco exato. Então, a ação das pessoas trazerem moedas para mantermos a circulação foi uma ação essencial”, destaca a supervisora.

A população

A aposentada Isabel Souza, de 72 anos, e o neto Leonardo Souza, de 9 anos, juntam as moedinhas mensalmente em um cofre e todos os meses retiram o dinheiro e levam para serem trocas por cédulas e conta que já ganhou diversos prêmios.

Para Isabel, a prática favorece os clientes e comerciantes. “O meu neto passou a valorizar as moedas com esse processo de troca nos estabelecimentos.

Ele sabe que é necessário ter uma poupança e está entendendo que as moedas são mais necessárias no mercado local do que ficarem paradas.

E essas ações de brindes em troca o incentiva sempre”, desta a aposentada.

Solução digital

Por falta de troco, comércio no AM busca soluções e cria promoções.

A dificuldade de devolver o troco nas compras no comércio em Manaus, foi a problemática que fez os co-fundadores do startup Trocados, Silvestre Paiva e Amaike Keric, pensarem em alternativas para que o troco estivesse disponível nos estabelecimentos locais.

E em 2014, a dupla fundou a empresa que passa o troco digital para o aplicativo do celular.

Esse troco pode ser transferido para uma conta bancária ou ser utilizada em compras nas lojas parceiras do aplicativo, na compra de créditos para usar no Uber, em recargas da carteirinha de transporte e muito mais.

O funcionamento da Trocados é simples. Um software é instalado no computador dos estabelecimentos comerciais onde o consumidor irá informar o número de telefone.

Após esse processo, o consumidor irá receber uma mensagem de texto com as instruções a serem realizadas: baixar o aplicativo da Trocados gratuitamente e realizar o cadastro aplicativo para usar o troco no celular.

De acordo com o co-fundador, Silvestre Paiva, o trabalho da startup Trocados envolve muito mais possibilidades e alternativas criativas de utilizar o troco.

A missão

“A Trocados trabalha com inclusão digital, de inserir o troco em versão digital para pessoas que moram no interior e que podem utilizar a tecnologia e os benefícios do aplicativo de uma forma constante no seu dia a dia”, destaca o co-fundador.

Trocados foi uma das empresas selecionadas no Programa Sinapse da Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

O programa recebeu 1,2 mil participantes e selecionou 40 empresas para receberem um prêmio em dinheiro para acelerar o projeto e a Trocados foi uma das empresas selecionadas.

E atualmente, a está presente em 40 estabelecimentos comerciais de diversos ramos comerciais presentes em Manaus e, também nos municípios de Parintins, Itacoatiara e Tefé.

Responsabilidade do comerciante

No processo de compra e venda, o troco é de responsabilidade do estabelecimento que vende o produto e o Código de Defesa do Consumidor, assegura os clientes nas práticas abusivas cometidas nesse processo.

De acordo com a advogada Alana Paiva Frazão, o comerciante não pode oferecer um produto para completar o valor do troco ou como forma de troco.

“A prática de entregar alguma bala ou chocolate para complementar é muito comum, mas é uma prática abusiva ao consumidor.

O comerciante deve vender seu produto por um valor que seja possível de troco.

Alguns exemplos são mercadorias vendidas a variações com 99 centavos, o preço não é completo e dificulta o troco no valor correto”, destaca a advogada.

Entre as práticas abusivas, a advogada destaca também, que o comerciante não deve estabelecer um valor limite para troco nos comércios, uma prática muito comum em transportes públicos.

“O direito do consumidor esclarece que é irregular estipular uma taxa especifica para facilitar o troco.

Se o consumidor tiver uma cédula com valor acima, o fornecedor do transporte e demais comerciantes não podem impor circunstâncias para que o cliente faça pagamentos opcionais.

Se o cliente tem dinheiro para realizar a compra é de obrigação do comerciante receber e ser responsável pelo troco correto ao cliente”, Ana Paiva.

Responsabilidade do Banco Central

Segundo a advogada, as alternativas que os comerciantes adotam, como brinde ao trocarem dinheiro não é uma prática abusiva.

“ Nesta situação, presentear os clientes por trocarem moedas por cédulas com o objetivo de facilitar trocos e circulação das moedas, não configura nenhuma irregularidade”, destaca.

O economista Wallace Meirelles, também destaca que a circulação da moeda no mercado é de responsabilidade do Banco Central.

“A falta de troco gera um problema, pois a economia monetária é muito importante para o país e com a falta de circulação pode resultar um prejuízo de milhões nos cofres públicos.

E cabe ao Banco Central acompanhar a evolução da moeda no mercado e também a preservação de sua circulação”, destaca o economista.


Por Nathalie Torres | Matéria publicada no Portal Amazonas Em Tempo.

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